Setor cresce, mas falta mão-de-obra qualificada

Em 2000 entrei em um Mc Donalds nos EUA e recebi um péssimo atendimento. Em vários lojas que eu entrava e depois voltava novamente, percebia que havia uma rotatividade de funcionários alta. Tudo isto devido ao boom econômico americano daquela época. As lojas não conseguiam segurar por muito tempo os seus funcionários. Não conseguiam treiná-los a tempo. Os novos funcionários que eram admitidos tinham menos qualificações que os anteriores.

A mesma coisa pode ser vista atualmente no ramo de construção no Brasil. Falta pessoal qualificado. Não se acha candidatos de engenharia civil. Não se acha mestres de obra. Não se acha pintores. Não se acha todo tipo de função. A crise no final de 2008 ajudou a equilibrar um pouco a oferta e demanda neste mercado. Mas novamente observamos o inicio de falta de profissionais da construção. Um exemplo típico desta mudança é a falta de pessoas para trabalhar no balancim em prédios ou obras. Ninguém quer mais. Não compensa. O pessoal que trabalhava nas alturas encontram melhores salários em outras funções nas obras civis.

O último acordo coletivo, assinado pelo Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo) e entidades patronais, teve um aumento de 8,51% no salário dos trabalhadores – um ganho real de 2,8% em relação à inflação.  No mesmo acordo, foram criados dois pisos salariais, inexistentes até então. O trabalhador não especializado, desde o mês de maio, não pode receber menos do que R$ 712,80. Já a remuneração mínima do profissional de canteiro especializado foi fixada em R$ 851,40. Em outros Estados, aumentos reais de ordem semelhante também foram obtidos. Na Bahia, por exemplo, após uma greve de 12 dias em abril, os trabalhadores conseguiram reajuste de 8%. No Estado do Rio de Janeiro, o aumento foi de 7,5%.
Mas a realidade é que, ainda estamos muito longe de ter a quantidade de mão-de-obra especializada que precisamos para suprir nossas necessidades. A Conibase, por exemplo, criou o programa Fideliza Conibase no qual interessados em conhecer ou aprimorar seus conhecimentos técnicos participam de aulas gratuitas semanalmente de várias especialidades (Hidráulica, Pintura, Elétrica, Alvenaria e Revestimento) dentro de uma de suas três sedes: Butantã, Morumbi e Cotia.

E claro, sindicatos e o poder público também estão se empenhando para adequar milhares de profissionais às novas exigências. Agem com acerto, e o esforço deve ser o mais amplo possível, pois tudo indica que a presente boa fase da construção irá se prolongar por muito tempo.

Ricardo Adachi é diretor-executivo da Conibase

Engenheiro Mecânico com MBA pela Duke University. Diretor da Conibase, empresa de varejo no ramo de materiais de construção. Vice-presidente da Acomac SP (Associação dos  comerciantes de Material de Construção). Acumula 15 anos de experiência profissional em empresas multinacionais de bens de consumo e consultorias de planejamento estratégico.

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